A
história do 4CV, o “avô do Gordini”, começou em 1942, quando o complexo
de Billancourt ainda estava sob domínio alemão. Escondido pelas fábricas e
contando com o sigilo de cinco funcionários de confiança, o engenheiro
Fernand Picard desenhou e construiu o primeiro protótipo do carro sem que os
invasores percebessem! Em 1943, Picard chegou a levar o carro para um teste
pelas estradas nas redondezas. Teve, então, a sensação de que aquele
projeto seria um sucesso comercial. Só faltava esperar o final da guerra.
O tempo passou, os Aliados
venceram o
conflito e o sonho do engenheiro virou realidade. Em 1945, com a montadora já
sob controle de Pierre Lefaucheux, Picard conseguiu a aprovação do projeto,
batizado com a sigla em referência a seu motor quatro cilindros. E, em
outubro do ano seguinte, o 4CV foi a grande atração do Salão do Automóvel
de Paris, o primeiro pós-guerra.
A resposta do público foi imediata. O 4CV era tudo o que o consumidor francês queria naquele momento: um carro quatro portas, rápido, econômico, fácil de dirigir, capaz de subir montanhas e de levar as famílias para o litoral, características que seriam herdadas pelo Gordini, anos depois.
O 4CV, enfim, era o símbolo de uma liberdade recém-conquistada.
O
carro passou a ser produzido exatamente um ano depois, em outubro de 1947, e
foi um sucesso de vendas. A lista de espera nas revendas chegava a dois anos!
Para aumentar ainda mais o entusiasmo dos consumidores, o 4CV venceu nos anos
seguintes algumas das principais corridas da Europa, como a subida do Monte
Ventoux (1948), o rali de Monte Carlo (1949) e as 24 Horas de Le Mans (1950 e
1951).
O 4CV ganhou versões
conversível e de luxo e foi fabricado por quase 14 anos. Seu último exemplar
deixou a linha de produção da Renault em 6 de julho de 1961, quando o
Dauphine, seu sucessor, já fazia uma consistente “carreira solo”.
O
carro de Picard deixou um legado esplêndido: foi o primeiro veículo francês
a quebrar a barreira de 1 milhão de unidades. Segundo dados oficiais da
empresa, foram fabricados 1.105.547 4CV. Muitos deles acabaram sendo
exportados. Inclusive para o Brasil, onde o 4CV recebeu o apelido de “Rabo
Quente”, em alusão a seu motor traseiro, uma novidade para o mercado
brasileiro da era pré-Fusca.
Hoje, o 4CV é um cult em todo o mundo e ainda é relativamente fácil encontrar um desses carrinhos circulando por cidades da Europa.
Dados técnicos
Motor: Renault quatro cilindros, 760 cc, com 26 hp
Câmbio: três marchas mais a ré
Freios: hidráulicos, com freio de mão nas rodas traseiras
Dimensões: 3,60 m de comprimento; 1,43 m de largura; 1,40 m de altura
Peso: 560 kg
Velocidade máxima: 110 km/h
Consumo: 17,5 km/litro