O Corcel nasceu em outubro de 1968 com uma missão complicada: substituir o Gordini, um carro que incomodou o Fusca por seis anos. A concepção do modelo, no entanto, começou três anos antes, em 1965, e talvez tenha sido uma das mais cuidadosas já testemunhadas pela indústria automobilística brasileira.
Batizado de “Projeto M”, o Corcel começou a ser desenhado pela Willys-Overland do Brasil em conjunto com a Renault. A plataforma e toda a parte mecânica foram projetadas pela fábrica francesa. Os brasileiros entraram com o design do carro: o “V” da grade era claramente da mesma família da Rural e do Aero-Willys.
Quando começou a conversar com a Willys, a Ford percebeu que tinha em mãos uma grande oportunidade. Até então, fabricava no Brasil apenas o gigantesco Galaxie 500, a picape F100 e caminhões. De bandeja, a montadora americana ganharia um projeto quase pronto de um carro simples, compacto, que pudesse atender ao grande público.
Foi a vez de os americanos embarcarem no planejamento. Protótipos do “Projeto M” foram levados a Detroit e lá, testados à exaustão pelos técnicos da matriz. O carro foi aprovado e só então a Ford decidiu fechar o negócio e comprar a empresa brasileira.
Finalmente,
no fim de 1968, o modelo foi lançado como Corcel, um nome de cavalo, a exemplo
do esportivo Mustang, um must da época. Na França, o carro ganhou as ruas dois
anos depois, batizado de R12, e também foi um sucesso de vendas.
O motor do Corcel era dianteiro, quatro cilindros, 1289 cc, 68 hp e era um descendente direto dos propulsores que equipavam o francês R8. As válvulas eram no cabeçote, mas seu comando estava no bloco, acionado por corrente de distribuição.
A edição de outubro de 1968 da
“Quatro Rodas” testou o Corcel. “Podemos definir o Corcel como um
automóvel médio eficiente e funcional”, escreveu Expedito Marazzi, editor da
revista. “O grande aperfeiçoamento que o nôvo motor traz consiste em
funcionar sôbre cinco mancais. Cada mancal de biela fica entre dois mancais de
virabrequim, o que se traduz numa suavidade de funcionamento excepcional, sem
vibrações que possam danificar o motor, especialmente nas altas rotações. O
ronco do Corcel é agradável, diferente de qualquer outro”, completou. No
Gordini, eram três mancais.
As heranças do Gordini, da Willys e da Renault eram claras. Assim como o Gordini IV, as primeiras unidades do Corcel tinham a opção de freios a disco nas rodas dianteiras. Alguns saíram da fábrica com o logo da Willys impresso nos vidros. Apesar de ser um compacto, o Corcelo foi lançado com quatro portas. As rodas eram aro 13 e tinham três parafusos, uma tradição de seu antecessor.
No teste da revista, o Corcel chegou de 0 a 100 km/h em 23,6 s. O Gordini III, em teste da mesma “Quatro Rodas”, atingiu a marca em 36,6 s e o Gordini II, em 32,6 s. O novo carro, porém, era menos econômico: a 60 km/h, fazia 13,4 km/l. O Gordini III fazia 18,6 km/l, quase empatado com o Gordini II, 18,7 km/l.
O Corcel ganhou mais tarde versões família (Belina), cupê e esporte, o modelo GT. Fez história. Em 1977, a Ford revisou completamente o carro e lançou o Corcel II. Agora, até mesmo as heranças do Gordini eram enterradas.
Se você tem mais informações (fotos, anúncios, dados técnicos) sobre o Corcel, entre em contato com o site, no e-mail fseixas@gordini.com.br