A
Willys arregaçou as mangas em 1966 e lançou o Gordini II. Comparado com suas
versões anteriores, o carrinho era uma revolução. Trazia, segundo a fábrica,
“25 modificações que resultaram de exaustivos estudos da adaptação do
Gordini às condições brasileiras”. A mais importante: a extinção da
suspensão “Aérostable”. Era a resposta da Willys às desconfianças que
surgiam sobre o carro.
Mais uma vez, vale a pena ler um texto da época. No início de 1966, época do lançamento do modelo, a Willys divulgou o seguinte comunicado:
“A principal novidade é a
modificação no conjunto traseiro de suspensão, com novos semi-eixos, novos
cubos
de roda, novos tambores de freio e a colocação de tirantes para o eixo
traseiro. O tirante impede o desalinhamento das rodas traseiras, proteje (sic) e
reforça a suspensão e melhora a estabilidade e a manobrabilidade do veículo.
O Gordini II tem frisos cromados nas aberturas das rodas nos paralamas, novos
bancos (maiores e mais confortáveis), nova alavanca de câmbio, nôvo tanque de
gasolina (com chave na tampa) e será vendido em nove côres diferentes. O 1093,
de produção limitada, também incorporará em seu modêlo 66 as novidades
lançadas no Gordini II e que resultam, inclusive, da experiência adquirida nas
competições em que o Gordini tem sido sempre campeão. Não foi feita
modificação no sistema elétrico da linha Renault dos veículos Willys, que
continuam dotados de dínamos”, diz o texto da fábrica. O carro trazia ainda
novos carburador e distribuidor.
Apesar de uma propaganda da época afirmar que “a nova suspensão com estabilizador trazeiro permite fazer curvas fechadas em alta velocidade”, não foi bem isso o que constatou um teste da “Quatro Rodas”, publicado na edição de maio de 1966.
A revista apontou dois problemas no Gordini II. “A primeira delas era uma perda de velocidade máxima em relação aos primitivos Gordinis; a outra era a menor estabilidade traseira, provocada pela supressão dos aerostables”.
Mas, em geral, ficou satisfeita. “Trata-se de um carro nervoso, macio, gostoso de guiar, com freios sensíveis e características levemente sobre-esterçantes (tendência a sair de traseira nas curvas. O motorzinho de 850 cc tem boa elasticidade, como sempre, e não apresenta tendência ao super-aquecimento ou à detonação, podendo usar gasolina comum em qualquer circunstância”.
A
revista listou as novidades na aparência do carro. “Um friso cromado
envolvendo discretamente os pára-lamas, um número II, assim mesmo, em
algarismos romanos, outras cores e novo estofamento: não é difícil distinguir
um Gordini comum do Gordini II, olhando o carrinho por fora. Por dentro,a
diferença não se vê; sente-se. Principalmente a suspensão, melhor que a do
Gordini anterior, por causa dos tensores e das buchas super-dimensionadas. O
aerostable foi substituído por cilindros de borracha, para limitar os
movimentos do eixo traseiro”.
No teste, o Gordini II utilizado pela “Quatro Rodas” foi de 0 a 100 km/h em 32,6 segundos e completou 1 quilômetro em 45,7 segundos. A 60 km/h, o consumo foi de 18,7 km/l e, a 100 km/h, de 13 km/l.
Apesar dos bons resultados, a Willys estava disposta a suar ainda mais para sanar os problemas do carrinho. Em 1967, mais novidades viriam.
Se você tem mais informações (fotos, anúncios, dados técnicos) sobre o Gordini em 1966, entre em contato com o site, no e-mail fseixas@gordini.com.br