Março de 1968. Um mês fatídico para os amantes do Gordini. Já sob comando da Ford, a Willys-Overland do Brasil S.A. anunciou o fim da produção do carrinho. A justificativa das montadoras era o lançamento do Corcel, em junho, que seria produzido na mesma linha de São Bernardo do Campo. “Finalmente, um carro com qualidades de verdade”, dizia a propaganda da Ford, como que desmerecendo a trajetória do Gordini.

No começo do ano, a montadora chegou até a lançar uma última série, o Gordini IV, que só trazia novidade nas cores. De resto, o modelo era idêntico ao Gordini III.

Segundo a Willys, foram produzidas, entre Dauphine, Gordini, 1093 e Teimoso, 74.620 unidades de carros equipados com motor Ventoux.

Anúncios classificados de 1968 mostram que ainda havia um bom mercado para o GordiniApesar do lançamento do Corcel, o Gordini continuava a ser um carro procurado pelo público. Tanto que, em outubro de 1968, a “Quatro Rodas” trouxe uma reportagem sobre o mercado que ainda havia para o Gordini.

“Êle parou de ser fabricado, mas seu mercado é grande e o preço vai aos poucos se estabilizando. Peças ainda vai ter por bastante tempo e pelos planos que há na praça qualquer um pode comprá-lo. Resta você decidir”, dizia a abertura da matéria, intitulada “O que fazer de seu Gordini”.

A revista fazia uma radiografia dos motivos que levaram ao fim da produção do Gordini. “Sempre surge numa conversa a frase: ‘O carrinho é muito bom, mas...’ Foi êsse mas, nascido juntamente com o carrinho, que acabou com êle. Para muitos, quer dizer suspensão pouco resistente; outros subentendem lataria fraca”.

A “Quatro Rodas” continuava: “Há quem diga que foi a própria fábrica que se incumbiu de arrasar com o carro, oferecendo um plano de financiamento muito longo. Isso fêz com que o Gordini nunca fôsse vendido realmente ao preço de tabela. A desvalorização começava quando êle saía da fábrica para o concessionário. Outros atribuem a desvalorização aos defeitos que êle apresenta no isso. A verdade é que quem comprava Gordini numa esquina, na seguinte já não conseguia vender pelo preço pago”.

Sete meses após o fim da fabricação, já não havia, nas principais concessionárias de São Paulo (Cássio Muniz, Cipan, Lara Campos, Coscopal e Dipave), um só Gordini zero quilômetro. Gordini, a partir de então, só usado. O carrinho começava sua jornada para se tornar um clássico.

Se você tem mais informações (fotos, anúncios, dados técnicos) sobre o Gordini em 1968, entre em contato com o site, no e-mail fseixas@gordini.com.br